Propolis como suplemento alimentar

28 04 2011

O propolis é um dos materiais produzidos pelas abelhas (Apis mellifera) a partir de resinas de plantas e cera proveniente das próprias abelhas. É um produto de textura e cor variáveis, aromático e com um sabor resinoso. As abelhas sintetizam-no, aparentemente, como substância protectora, por exemplo para selar fendas e buracos nas colmeias, defendendo-as de parasitas. É frequente prática dos apicultores a criação de fendas nas colmeias como meio de estimular a produção de propolis.
As propriedades bioactivas do propolis são conhecidas desde a antiguidade. Existem relatos da sua utilização no tratamento de feridas e úlceras pelos Egípcios, Gregos e Romanos. Mais tarde, no séc. 17, o propolis fazia parte de farmacopeias oficiais. A sua actividade antibacteriana foi a primeira a merecer uma avaliação científica e uma das principais razões da grande aceitação deste produto na medicina popular de várias zonas do globo e da sua incorporação em diversos produtos de consumo, como alimentos e bebidas, sabonetes e pastas de dentes, entre outros.

Além da resina e cera, o propolis contém compostos voláteis e pequenas quantidades de outras substâncias. A cera é produzida pelas glândulas das abelhas e na sua composição predominam os hidrocarbonetos, ésteres de ácidos gordos e álcoois primários de cadeia longa. Pensa-se que as variações encontradas na sua composição se devem a factores genéticos.
Como as substâncias bioactivas do propolis provêm da resina, o mesmo é dizer que provêm das espécies vegetais a partir das quais é produzida a resina. Embora as abelhas de uma mesma colónia possam visitar diferentes espécies de plantas, parece haver uma clara preferência por apenas uma ou um reduzido número de fontes de resina. Estas resinas contêm compostos fenólicos e terpenóides, sendo raramente encontrados compostos glicosilados. De acordo com os dados disponíveis, estes compostos não sofrem qualquer modificação devida à sua utilização pelas abelhas.
A composição do propolis é muito variada, podendo mesmo encontrar-se diferentes componentes em amostras colhidas em zonas próximas, ou até no mesmo apiário. As diferenças genéticas entre abelhas poderão conduzir a preferências por diferentes plantas, as quais possuem também diferente composição química. Por outro lado, as variações sazonais das espécies vegetais poderão justificar as diferenças sazonais encontradas na composição do propolis. Por exemplo, em Portugal e outras zonas temperadas, a fonte predominante será o choupo. Noutras zonas do planeta existe também uma preferência clara por certas plantas como fontes do propolis produzido, o que permite uma caracterização geográfica de proveniência, a partir do estudo da sua composição química.
As actividades biológicas de diversos compostos isolados do propolis vão desde a citotoxicidade e acção anti-bacteriana à possível actividade anti-VIH. A descoberta deste tipo de compostos no propolis tem conduzido a um crescente interesse na investigação da composição de propolis de diversas proveniências, da sua actividade biológica e das plantas que lhes servem de fonte. O conhecimento destas fontes é importante, não só pela caracterização da origem geográfica, mas também como meio de aumentar a produção de propolis e permitir atingir um maior grau de padronização do produto.
Fonte: A. Salatino, C. C. Fernandes-Silva, A. A. Righi, M. L. F. Salatino, Propolis research and the chemistry of plant products. Nat. Prod. Rep., 28 (2011) 925-936. DOI:10.1039/c0np00072h


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